Quando criança? Se é complicado entende-la quando adultos, imagina explicar os sintomas de um tratamento tão agressivo para uma criança. Como lidar com as náuseas, as dores, o mal estar e principalmente como abrir mão de uma fase tão linda e pura, como aprender a trocar as bonecas, as bolas pelos soros, remédios e visitas ao médico e hospital...
Na adolescência? Período das mais deliciosas descobertas, de grandes aventuras e amores...
Na 3ª idade? Depois de uma vida inteira dedicada ao trabalho, filhos e família, onde achávamos que teríamos por direito uma velhice tranquila, ela aparece e torna ainda mais frágil uma saúde que já conta com sua própria fragilidade e limitações devido a idade...
Para nós, ela chegou em um período em que finalmente, depois de muita luta, tínhamos a sensação de que seria o "grande momento" construção finalmente terminada, troca de carro, planos de viagem e passeios. Coisas que abrimos mão durante um bom tempo para ter o "teto e uma certa tranquilidade" que toda família sonha e merece.
Então eu chego a conclusão que independente da idade, do momento em que estamos vivendo, quando essa doença aparece, o estrago está feito. Precisamos por um pé no freio, tentar compreender o momento, aprender a lidar com os "monstros" que vem acompanhado dela e que faz parte desse pacotão...
O que me preocupa, é ver sempre um rosto novo toda vez que o Ricardo vai ao médico. Na sala de quimioterapia sempre encontro uma nova família perdida em meio ao medos e angustias que essa doença carrega.
Realmente é preciso ser mais gigante que o próprio gigante, mais guerreiro que o próprio guerreiro...é preciso vencer e sobreviver!





